top of page
Buscar

Amor Doente

  • Foto do escritor: Valdano Da Silva
    Valdano Da Silva
  • 25 de jan. de 2022
  • 2 min de leitura

As férias de Sébastien tinham chegado ao fim, e apenas lhes era possível estar juntos à noite, por isso, Maria passava os dias na casa que partilhava com mais dois amigos de Sébastien, que se encontravam no desemprego... "amigos" como eram tratados por Séb...

Amigos, que, graças ao caderno, foram presos, por violação e assassinato.

Foi numa das estações ferroviárias mais movimentadas de Paris, num final de tarde, rodeada de gente apressada, que ela se decidiu vingar.

Dentro da mochila que abandonou num banco poucos metros atrás, apenas o cartão de cidadão e o passaporte português restavam intactos. Antes disso, tinha deixado no café da gare, um caderno, que carinhosamente chamava "A história do nosso amor doente".


A mim, foi me dito, (eu estava lá, mas tinha os meus Beats by Dre a tocar "cold cold heart de NORAH JONES com o volume no máximo) que ela gritou Sébastien, Sébastien, Sébastien... Três vezes, antes de se lançar às rodas de ferro do TGV Paris-Nice... O comboio estava a chegar, mas, infelizmente, ainda vinha a uma velocidade suficiente para arrancar a alma ao agora desmembrado corpo da jovem de 24 anos.


Foi o pânico total... Parou tudo.

Foi como se, de repente, alguém tivesse anunciado o fim do mundo pelos altifalantes da gare... Parou tudo!


Eu, como muitos outros curiosos, fui ver... E não consigo pôr em palavras o que vi... fiquei com aquilo na retina, no meu tímpano, o grito das senhoras horrorizadas rapidamente substituiu a linda e apaziguadora voz de Norah Jones, vim pra casa mas mal dormi naquela noite.


Na manhã seguinte, não se falava de outra coisa na comunicação social, tanto em França, como em Portugal.

Nesse dia, fiquei a conhecer a história que distraidamente presenciei.


Maria Albertina tinha-se mudado para Paris por amor, amor por um desconhecido com quem tinha passado meses a trocar mensagens pelo Facebook.

Sébastien Da Silva é o nome do "amor doente" de que Maria falava no caderno que foi encontrado no café.


No caderno, a jovem descreve os dias passados em Paris... Fala do amor fogoso, dos primeiros encontros, os passeios ao centro da "cidade do amor" da torre Eiffel, do Louvre, da avenida dos Champs Élysées, da basílica do Sacré Cœur. Uma semana intensa, com muito sexo, drogas, álcool e crepes com Nutella.


Depois de cerca de duas semanas de abusos, Maria decidiu contar a Sébastien o que se passava, mas antes que este pudesse fazer o que quer que fosse, desapareceu.


Já na prisão, os dois "amigos" de Sébastien confessaram ter assassinado o colega, com medo de serem denunciados, e disseram ainda que Maria passou os últimos dias da sua vida sob ameaças de morte, e após 3 dias de cativeiro, conseguiu fugir, acabando por se suicidar na gare de Lyon, no centro de Paris.


Maria Albertina morreu sem saber o que tinha acontecido ao seu "amor doentio", cujo corpo foi encontrado dias depois nas águas do Rio Sena, à beira da Catedral de Nôtre Dame.



Posts recentes

Ver tudo

Comentários


©2017 por Valdano Da Silva

bottom of page