Preciso de ti
- Valdano Da Silva
- 20 de jan. de 2022
- 2 min de leitura
A minha mente já te largou! Já aceitou que entre nós não há mais nada, o coração, revolta-se de vez em quando, e o corpo…
O meu corpo ainda não conseguiu engolir a nossa separação.
Ontem, houve mais daquilo a que chamo de “Auto guerra”...
As minhas mãos, cansadas de não ter o toque suave e morno das tuas, enfiaram-se nos bolsos do fato de treino, recusando-se a fazer o que quer que seja.
As minhas pernas correram em direção à cama, já debaixo dos cobertores, os meus pés, sempre quentes, andavam da esquerda para a direita, tentando encontrar alívio nos teus pés gelados, como faziam nas noites que passámos colados um ao outro.
Os meus lábios, cerrados um contra o outro, combinaram uma greve… não descolam até que os teus os venham libertar, com um beijo de morango húmido e macio.
As minhas narinas… sei que não vais acreditar, fecharam-se, incrível… eu sei, mas estas enormes narinas de dragão correram uma contra a outra, impedindo-me de respirar… reclamam pela tua pele perfumada de frutos silvestres e flores do campo.
Os meus olhos, que no seu estado normal já parecem estores a meia altura, fizeram cair as pestanas, as minhas retinas agora só vêm uma cor... preto.
O que queriam os meus olhos dizer? Estariam cansados, sem a energia dos teus? A escuridão, queria desaparecer na luz dos teus?
O meu coração… Ah! O meu coração…
Estou deitado na cama com as mãos nos bolsos e os pés a saltitar de um lado para o outro, de narinas e olhos fechados, os lábios colados um ao outro, e o coração…
O coração deve ter feito o que sempre fez quando estavas a meu lado… lembras-te?
O meu coração sempre seguia ao ritmo do teu… agora, acho que também está a fazer o mesmo, só que… estás muito longe para que ele consiga acompanhar as batidas… por isso, ele acompanha o que ouve… o silêncio.

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